quinta-feira, 10 de março de 2011

Standby



Estou aqui, torturado pelas dores do excesso de inércia, sentado num sofá mais velho que o tempo.
As paredes já não têm uma cor especifica, já tão pouco sei o que nas paredes é parede.
O chão, que um dia foi de um mogno lindíssimo, é habitado por térmitas e tornou-se um contentor para merda de rato.
E eu esperei, tal como prometi, sem sair do lugar.
Vi a história desta Nobre casa ser esquecida. Vi gerações de sem-abrigo passar por aqui sem nunca perderam a esperança de algum dia serem mais que o lixo podre da sociedade. Engano-me. Eles sonhavam ser mais que o lixo da podre sociedade.
Ouço os murmúrios das crianças lá fora, as estórias que elas contam e acreditam. E como os barulhos da minha inquietação e os meus gritos de dor fizeram desta casa um mito urbano assombrado.
Aquele pedaço de madeira agarrado à parede já foi uma porta, um dia. E, desde esse dia, aquela porta está escancarada para que tu possas entrar.
Estou à espera desse dia, impaciente. O dia em que vais entrar aqui, iluminar esta casa em ruínas e dar-me um abraço cheio de saudade.

Vou ficar aqui, meu amor. À tua espera.

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