quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Dantas cheira mal dos pés!

Todos com os olhos postos nos seu botões.
Todos iludidos com a sua própria visão do mundo.
Cambada de Dantas que aí anda.
Morram todos! PIM!

É no mau sentido!


O mundo não é cor-de-rosa. Também não é a preto e branco.
O mundo é cheio de cores!!!
Não, não digo isto no bom sentido.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Cinema a cores, Mundo a preto e branco.



A sociedade de hoje é como um bom filme dos anos 30. É a preto e branco e não tem voz. E os actores limitam-se a seguir o guião a que nós chamamos Media.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Memórias do meu jardim.



Eu lembro-me deste banco de jardim ser verde e não castanho e preto. Eu lembro-me das pernas deste banco não terem ferrugem. Lembro-me deste jardim estar cheio de flores de cores vivas, agora é um relvado meio careca. Lembro-me de me sentar aqui a ouvir os pássaros cantar a vida, hoje apenas se ouvem pombas que batalham pela comida que os velhos deixam. Este jardim é, agora, o hábitat natural dos cães vadios. Ali, no sopé daquela árvore, costuma estar um toxicodependente a morrer, todos os dias.
Eu estou deitado no chão, em cima da merda das pombas. Derrotado, com o Sol a bater na cara.
Aguardo o dia em que alguém irá restaurar o banco e plantar flores neste jardim.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eu já sonhei....



Hoje sou apenas uma máquina de carne na linha de produção que é a nossa sociedade.
Mas houve um tempo em que eu construia castelos com os sonhos.
E hoje ainda encontro, perdido nas ruinas do meu castelo, o sonho de estar um dia numa estante, fechado dentro de um livro.
Imagino-me vestido de pó, com a minha pele branca já amarelada da velhice. Esquecido numa secretaria, a servir de calço para o sonho de alguém.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Palavras velhas de esplanada.



Estou sentado à sombra de uma árvore por nascer, na margem de um rio que já correu.
E estou assim, inerte. Sem saber se fico para ver a árvore crescer ou vou para onde o rio foi.

domingo, 24 de julho de 2011

Momento de introspecção





A vida é a sala de espera em que aguardamos o ceifeiro.
É a tua sala de espera. És o centro das atenções. Não te limites a tirar macacos do nariz e colar debaixo da cadeira.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Still



Anos passados, permaneço no sofá.

Os pombos, velhos e gastos, são expulsos como se fossem uma praga, tal como eu.
O movimento aumenta, entram homens e homens e começam a destruir, sem dó nem piedade, as paredes da minha memória.
Permaneço no sofá.
As paredes à minha volta, que tanto choraram as minhas lágrimas, foram reinventadas, pintadas de branco.

Há uma porta nova, fechada.
A madeira podre, disfarçada de mobília, é deitada fora pelos homens novos que esquecem as gerações de memórias que elas escondem. São minhas, as memórias.
Dão-me banho, cortam-me o cabelo, desfazem-me a barba, secam-me as lágrimas que ainda tinha por chorar.
Roubam-me o sofá que já tinha a minha forma. Queimam-no. E com ele ardem as minhas memórias.
Esta casa já tem tecto, já não sinto a chuva lavar-me o rosto. Já não sinto o cheiro a merda, já não oiço os ratos no piso de cima, já não vejo os pedaços de si que cada sem abrigo deixou para trás.
Oiço apenas o movimento frenético lá fora. Uma rua que foi, um dia, abandonada e frequentada apenas por crianças curiosas e pelo lixo que sonhava ser alguém.

Estou no sofá. Num outro sofá. Na mesma casa, mas com outro sabor.
Continuo à espera, mas já não sei bem de quem...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Standby



Estou aqui, torturado pelas dores do excesso de inércia, sentado num sofá mais velho que o tempo.
As paredes já não têm uma cor especifica, já tão pouco sei o que nas paredes é parede.
O chão, que um dia foi de um mogno lindíssimo, é habitado por térmitas e tornou-se um contentor para merda de rato.
E eu esperei, tal como prometi, sem sair do lugar.
Vi a história desta Nobre casa ser esquecida. Vi gerações de sem-abrigo passar por aqui sem nunca perderam a esperança de algum dia serem mais que o lixo podre da sociedade. Engano-me. Eles sonhavam ser mais que o lixo da podre sociedade.
Ouço os murmúrios das crianças lá fora, as estórias que elas contam e acreditam. E como os barulhos da minha inquietação e os meus gritos de dor fizeram desta casa um mito urbano assombrado.
Aquele pedaço de madeira agarrado à parede já foi uma porta, um dia. E, desde esse dia, aquela porta está escancarada para que tu possas entrar.
Estou à espera desse dia, impaciente. O dia em que vais entrar aqui, iluminar esta casa em ruínas e dar-me um abraço cheio de saudade.

Vou ficar aqui, meu amor. À tua espera.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Perdoa-me.



As lágrimas não param de me escorrer pelo rosto. E tu aí, impávida e serena.
Estás deitada ao meu lado, mas há horas que não me falas. Diz que me amas. Quero ouvir-te dizer que me amas.
Estás pálida. Eu pergunto se estás doente e tu nem abres a boca. Pareces-me fria, aconchego-te, abraço-te.
Peço-te desculpa mil e uma vezes, entre os soluços. E manténs o teu silêncio.
Eu sei que estás a olhar para mim. Pelo menos os teus olhos estão virados para mim, mas sinto como se estivesses a olhar para um lugar distante na tua imaginação.
Não sei como consegues. Eu aqui, torturado pela agonia, e tu apática. Magoa-me, sabes?
Dou-te um beijo na testa e saio da cama.

“Vou fazer algo para comermos, deixo-te aqui com os teus pensamentos. Desculpa mais uma vez, eu não te queria dar o tiro na nuca. Estávamos a discutir, compreende, eu estava fora de mim. Amo-te”